Queda no preço do cacau amplia mobilizações de produtores no sul da Bahia

Com arroba cotada a R$ 165, agricultores realizam protestos e cobram medidas diante de impactos na cadeia produtiva
A recente redução no valor da arroba do cacau para R$ 165,00, registrada nesta quarta-feira (18), intensificou a mobilização de produtores no sul da Bahia. Agricultores da região passaram a realizar protestos e bloqueios pontuais em trechos da BR-101, principal rodovia que corta o estado, provocando congestionamentos e lentidão no tráfego.
A reação ocorre em meio ao cenário de desvalorização do produto, que, segundo representantes do setor, tem causado prejuízos crescentes aos produtores, especialmente aos pequenos agricultores do Baixo Sul e de outras áreas tradicionalmente produtoras. Eles apontam dificuldades para manter a rentabilidade diante da queda no preço e questionam a política de importação de cacau, além do deságio aplicado ao produto nacional.
A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) manifestou preocupação com o atual momento do mercado e convocou uma nova mobilização para o dia 27 de fevereiro, no município de Ilhéus, um dos principais polos cacaueiros do estado. Em nota, a diretoria da entidade informou que está buscando inserção em reuniões em Brasília para acompanhar as discussões relacionadas ao setor e afirmou que novos encaminhamentos devem ser divulgados nos próximos dias.
No comunicado, a associação destacou que o cenário envolve diversos desdobramentos simultâneos e reforçou o pedido para que os produtores acompanhem as atualizações oficiais da entidade. Também foi informado que outras manifestações poderão ocorrer em diferentes cidades baianas, ampliando o movimento nos próximos dias.
O Governo da Bahia sinalizou a intenção de buscar diálogo com o Governo Federal para tratar da situação. Até o momento, entretanto, não foram anunciadas medidas concretas voltadas ao enfrentamento da crise no setor cacaueiro.
A cadeia produtiva do cacau tem papel relevante na economia do sul da Bahia, envolvendo milhares de famílias, cooperativas, trabalhadores rurais e empresas ligadas ao beneficiamento e comercialização. Especialistas apontam que oscilações no mercado internacional, custos de produção e políticas comerciais podem influenciar diretamente o preço pago ao produtor.
Enquanto aguardam definições, agricultores seguem mobilizados e defendem a adoção de medidas que garantam maior estabilidade ao setor, considerado estratégico para a economia regional.
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