Lula defende desdolarização do comércio internacional durante cúpula do Brics

Presidente brasileiro propõe uso de moedas locais nas transações entre países e afirma que substituição do dólar é “irreversível”
Durante a cúpula do Brics realizada nesta segunda-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a desdolarização do comércio internacional. Em seu discurso, Lula propôs a adoção de moedas locais nas transações entre os países do bloco, como forma de reduzir a dependência do dólar nas relações comerciais.
Segundo o presidente, a substituição da moeda norte-americana no comércio global é um processo inevitável. “É uma coisa que não tem volta. Vai acontecer até que seja consolidada”, afirmou Lula.
A proposta de enfraquecer o domínio do dólar nas trocas comerciais internacionais é compartilhada por outros membros do Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Entre os países mais enfáticos nessa agenda está a Rússia, que, desde o início da guerra na Ucrânia, tem sido alvo de sanções internacionais impostas por potências ocidentais. O movimento para diversificação das moedas utilizadas no comércio é visto como uma alternativa para contornar as restrições financeiras e promover maior autonomia econômica entre os países do bloco.
Lula também destacou que o uso de moedas locais pode impulsionar o desenvolvimento dos países emergentes e tornar o comércio mais equilibrado e justo, reduzindo a vulnerabilidade frente a variações cambiais externas e políticas monetárias de países desenvolvidos.
O tema da desdolarização tem ganhado espaço nas discussões do Brics nos últimos anos, especialmente diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e pela busca de uma nova ordem econômica multipolar. Embora ainda enfrente desafios práticos e resistência de parte da comunidade internacional, a proposta de Lula sinaliza uma tentativa de reposicionar o Brasil e os países do Brics no centro dos debates sobre o futuro do sistema financeiro global.
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