Lula prepara discurso na ONU com defesa da soberania e alerta contra interferência externa nas eleições

Presidente abre Assembleia Geral na próxima terça-feira (22), em Nova York; fala deve abordar democracia, multilateralismo, segurança pública e rejeição à ingerência estrangeira, sem previsão de citar diretamente Donald Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara para a próxima terça-feira (22) um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) centrado na defesa da soberania nacional e no princípio da não interferência estrangeira nos assuntos internos dos países. A manifestação ocorrerá a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026.
Lula fará o tradicional discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (17), a mensagem está sendo construída pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty e poderá sofrer ajustes até a apresentação.
Soberania ganha espaço em meio às eleições
Um dos pontos previstos é a defesa de que processos políticos e eleitorais sejam conduzidos sem interferência de governos estrangeiros.
A abordagem ocorre em um momento no qual integrantes do governo brasileiro manifestam preocupação com possíveis movimentos externos capazes de influenciar o ambiente político do país. Até o momento, porém, as informações disponíveis não demonstram que tenha ocorrido interferência estrangeira efetiva nas eleições de 2026; trata-se de uma preocupação manifestada pelo governo e que deverá aparecer no discurso presidencial.
Lula já levou o assunto para manifestações públicas recentes. Em setembro, durante evento de campanha, o presidente afirmou que não aceitaria interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Apesar do contexto, a expectativa é que o presidente adote na ONU uma linguagem diplomática e trate do princípio da soberania de maneira mais ampla. Segundo a CNN Brasil, Lula não deve mencionar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump ao abordar o tema.
Relação com os Estados Unidos estará no pano de fundo
A defesa da soberania ocorre em meio a divergências recentes entre os governos brasileiro e norte-americano.
O tema também ganhou espaço no cenário eleitoral brasileiro. No pronunciamento presidencial relacionado ao 7 de Setembro, Lula já havia utilizado a soberania como um dos eixos de sua mensagem e feito críticas indiretas a interferências estrangeiras em questões envolvendo recursos minerais, comércio e decisões internas do Brasil.
Na ONU, entretanto, a estratégia deverá ser ampliar a discussão para além da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, vinculando a soberania ao respeito ao direito internacional e às instituições multilaterais.
Multilateralismo também será defendido
Outro eixo previsto para o pronunciamento é a defesa do multilateralismo. O governo brasileiro pretende reiterar a importância de instituições internacionais e da cooperação entre países para enfrentar crises que ultrapassam fronteiras nacionais.
Essa linha é recorrente na política externa do atual governo. Em discursos anteriores na ONU, Lula já relacionou soberania à capacidade dos Estados de legislar e fazer cumprir suas próprias regras, inclusive no ambiente digital.
Questões relacionadas à paz, aos conflitos internacionais e ao respeito ao direito internacional também deverão integrar a manifestação brasileira.
Crime organizado entra na pauta
A segurança pública deverá ser outro ponto relevante. O governo avalia apresentar na ONU medidas adotadas pelo Brasil contra organizações criminosas e defender maior cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e redes criminosas transnacionais.
O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores afirmou que o tema estava sendo considerado para o pronunciamento presidencial.
Informações divulgadas nesta quinta-feira indicam que Lula deverá abordar o combate ao crime organizado nas Américas sem fazer referência direta aos Estados Unidos.
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