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Domingo, 11 de outubro de 2026
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Frigoríficos de Mato Grosso do Sul paralisam exportações de carne para os EUA após tarifaço de Trump

Conectando Notícias Por Conectando Notícias
4 min de leitura
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Medida foi tomada após o anúncio de uma tarifa adicional de 50% imposta pelo governo americano a partir de agosto; setor busca redirecionar produção para mercados alternativos

A cadeia produtiva da carne em Mato Grosso do Sul enfrenta um novo desafio no cenário internacional. Frigoríficos instalados no estado decidiram suspender imediatamente a produção destinada aos Estados Unidos após o anúncio do governo de Donald Trump, que impôs uma tarifa adicional de 50% sobre a carne bovina brasileira. A medida, que entra em vigor no próximo dia 1º de agosto, foi classificada pelo setor como um “tarifaço” e tornou inviável economicamente a continuidade das exportações ao mercado americano.

Entre os frigoríficos que paralisaram as atividades voltadas aos EUA estão grandes nomes da indústria, como JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi. A decisão foi confirmada pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems) e pela Federação das Indústrias do Estado (Fiems), que alertaram para os impactos diretos sobre a produção, empregos e renda no estado.

O principal motivo da suspensão imediata foi a logística de exportação. O transporte de carne bovina do Brasil aos Estados Unidos leva cerca de 30 dias, o que significa que os produtos enviados agora chegariam já sob a vigência da nova tarifa. “O prejuízo seria inevitável. Não temos como arcar com uma taxa de 50% na chegada da carga”, explicou um representante do setor.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, a carne bovina desossada e congelada correspondeu a 45,2% das exportações sul-mato-grossenses para os EUA em 2025, movimentando cerca de US$ 142 milhões no primeiro semestre. O Brasil, que é o segundo maior exportador de carne bovina para o mercado norte-americano — atrás apenas da China — pode sofrer uma retração importante nas receitas com essa mudança.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou que os frigoríficos estão buscando alternativas para escoar a produção represada. Os principais destinos em estudo incluem China, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Chile, Egito e Vietnã. No entanto, especialistas alertam que a realocação não será simples e pode levar semanas ou até meses, exigindo novas rodadas de negociação comercial e adaptação às exigências sanitárias de cada país.

O governo estadual de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), afirmou que está articulando com o governo federal medidas para minimizar os impactos da nova tarifa e ampliar a presença do produto sul-mato-grossense em outros mercados. “Estamos dialogando com embaixadas e empresas para diversificar nossas exportações e reduzir a dependência do mercado norte-americano”, disse o secretário Jaime Verruck.

Enquanto isso, a cadeia produtiva local já sente os primeiros efeitos da paralisação. Pequenos pecuaristas temem a queda na demanda e a consequente desvalorização da arroba bovina, além da possível suspensão de contratos de fornecimento temporariamente. Já os frigoríficos, com linhas de produção ociosas, avaliam medidas para evitar demissões e prejuízos operacionais.

A escalada protecionista dos Estados Unidos sob a administração Trump reabre o debate sobre a instabilidade das relações comerciais com o país e a necessidade de o Brasil buscar maior diversificação em suas exportações. Para o setor da carne bovina, o momento é de cautela e reposicionamento estratégico. As próximas semanas serão decisivas para definir o novo rumo das exportações brasileiras em um dos segmentos mais importantes da balança comercial.

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