Ex-diretora de presídio baiano é acusada de negociar votos com facção criminosa para beneficiar políticos locais

Ministério Público investiga esquema que envolvia venda de votos por R$ 100, relacionamento com líder de facção e facilitação de fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis
Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelou um esquema envolvendo a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, acusada de manter uma rede criminosa dentro e fora do presídio com fortes ligações políticas e faccionadas. Segundo as investigações, a gestora intermediava encontros entre detentos e agentes políticos, chegando a negociar votos com integrantes de uma facção por R$ 100 cada.
O objetivo era fortalecer candidaturas locais, como a do ex-deputado federal Uldurico Júnior e do então candidato a vereador Alberto Cley, ambos citados em conversas apreendidas pela Polícia Civil. A ação consistia em promover o aliciamento de eleitores ligados ao grupo criminoso para apoiar os políticos em troca de vantagens financeiras.
Além disso, Joneuma teria recebido até R$ 1,5 milhão da facção em troca de regalias e favorecimentos internos, incluindo visitas não autorizadas, liberação de aparelhos celulares, movimentações irregulares e até a facilitação da fuga de 16 detentos ocorrida em dezembro de 2024. Entre os presos beneficiados estava Ednaldo Souza dos Santos, conhecido como “Dadá”, apontado como líder da facção e com quem a ex-diretora mantinha um relacionamento amoroso.
Joneuma foi presa preventivamente no início de 2025, na cidade de Teixeira de Freitas, durante o desenrolar da “Operação Cúmplices”. Na ocasião, foram apreendidos celulares, chips e valores em espécie. Apesar das provas reunidas, a defesa da ex-diretora nega todas as acusações, alega perseguição política e solicitou a quebra de sigilo bancário da cliente para provar sua inocência.
O caso, considerado um dos mais graves episódios de corrupção penitenciária no estado, levanta alerta sobre a vulnerabilidade do sistema prisional baiano e a influência de organizações criminosas no processo eleitoral. As investigações seguem em andamento e novas denúncias ainda podem surgir.
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