Comissão da Câmara aprova PEC do fim da escala 6×1; proposta reduz jornada e amplia folgas dos trabalhadores

Texto aprovado prevê redução gradual da carga horária semanal, adoção da escala 5×2 e duas folgas remuneradas por semana, mas proposta ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado
A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da tradicional escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. A medida prevê mudanças significativas nas relações de trabalho no Brasil, incluindo a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a ampliação do descanso para dois dias de folga por semana, sem redução salarial.
A aprovação representa um dos debates mais relevantes sobre direitos trabalhistas das últimas décadas e reacende discussões sobre produtividade, qualidade de vida, saúde mental, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e impactos econômicos para empresas e trabalhadores. O texto aprovado foi relatado pelo deputado Leo Prates e recebeu amplo apoio no colegiado, sendo aprovado por 34 votos favoráveis e quatro contrários.
Pela proposta, o atual modelo 6×1 seria substituído pela escala 5×2, garantindo dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos. A mudança, porém, não ocorreria de forma imediata. O texto estabelece uma transição gradual para permitir adaptação do setor produtivo e das empresas.
Conforme o parecer aprovado, após a eventual promulgação da PEC, o novo modelo começaria a valer em até 60 dias. Nesse primeiro momento, a carga horária semanal cairia das atuais 44 para 42 horas, enquanto o trabalhador já passaria a contar com duas folgas semanais. Depois de 12 meses, a jornada máxima seria reduzida para 40 horas semanais, consolidando definitivamente a nova estrutura laboral.
O relatório também preserva regras diferenciadas para setores considerados essenciais e para jornadas específicas já amplamente utilizadas no país, como a escala 12×36, comum nas áreas de saúde, segurança, transporte e serviços contínuos. Segundo o texto, detalhes operacionais poderão ser regulamentados futuramente por meio de leis específicas, acordos ou convenções coletivas de trabalho.
A proposta unifica pontos de duas PECs que tratam da redução da jornada de trabalho. Uma delas é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes, que previa redução gradual ao longo de dez anos. A outra é a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, que defendia um modelo ainda mais reduzido, conhecido como escala 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso.
Apesar da aprovação na comissão, a PEC ainda não está valendo. Para entrar em vigor, o texto precisa ser aprovado em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, com apoio mínimo de 308 parlamentares, e depois seguir para análise do Senado Federal. Somente após aprovação nas duas Casas do Congresso e promulgação da emenda constitucional as novas regras poderão começar a produzir efeitos legais.
A proposta divide opiniões no cenário político e econômico. Entidades ligadas aos trabalhadores argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida, reduzir o adoecimento mental, fortalecer o convívio familiar e aumentar a produtividade. Por outro lado, representantes do setor empresarial alertam para possíveis impactos financeiros, aumento dos custos operacionais e dificuldades de adaptação, especialmente em segmentos que funcionam continuamente, como comércio, indústria e serviços.
Leia também
Em apenas 60 dias de articulação, vereadora Ana Fraga mobiliza 805 votos para Antonio Brito em Valença
Resultado nas eleições de 2026 chama atenção pelo curto período de mobilização e pelo trabalho desenvolvido pela parlamentar junto…
Contrato de R$ 2 milhões, pagamentos de R$ 12 milhões: a conta que virou caso de Justiça em Taperoá
Manutenção de prédios públicos começou com contrato de aproximadamente R$ 2,19 milhões, mas pagamentos apontados em ação popular u…
Flávio Bolsonaro projeta até seis indicações ao STF e defende saída de Moraes e Dino
Candidato à Presidência afirmou durante agenda na Bahia que ministros não teriam condições de permanecer na Corte; cenário de seis…


