Carro zero da BYD dá defeito em quatro dias e vira caso de Justiça

Motorista de Salvador aciona montadora após problemas no motor e cobra solução para prejuízos
Um motorista por aplicativo de Salvador decidiu recorrer à Justiça após viver uma verdadeira dor de cabeça com seu carro zero quilômetro da marca BYD. O veículo, um Dolphin Mini adquirido em julho deste ano por cerca de R$ 120 mil, apresentou um defeito grave no motor apenas quatro dias depois da compra, comprometendo a utilização do automóvel que deveria ser a principal fonte de renda do proprietário.
O comprador, Ernesto Galvão, de 40 anos, relatou que percebeu um barulho estranho vindo do motor logo após realizar a primeira recarga do carro elétrico. Preocupado, levou o veículo à concessionária Parvi, localizada na avenida Paralela, onde havia feito a aquisição. Após inspeção, técnicos constataram que o problema estava na transmissão, acoplada ao motor, e informaram que seria necessário substituir todo o conjunto.
Além da falha considerada grave, o motorista também afirmou ter enfrentado outros problemas em um curto espaço de tempo, como travas das portas e capô apresentando defeitos. A situação gerou revolta, sobretudo porque a substituição de motor ou transmissão exige registro junto aos órgãos de trânsito, o que pode causar desvalorização imediata do veículo.
Diante da falta de solução definitiva, o motorista entrou com ação judicial na 9ª Vara de Relações de Consumo da Comarca de Salvador, buscando garantir seus direitos como consumidor. Até a publicação da reportagem, dois meses após a compra, o veículo seguia sem reparo completo e o impasse permanecia.
Direitos do consumidor em casos de defeito de fábrica
Segundo especialistas em direito do consumidor, o Código de Defesa do Consumidor é claro: em casos de defeito de fabricação, a empresa responsável tem 30 dias para resolver o problema. Caso não consiga, o cliente pode optar pela substituição por um carro equivalente ou pela devolução integral do valor pago.
Há ainda jurisprudências que fortalecem a posição do consumidor. Em casos semelhantes, tribunais têm determinado a troca imediata do veículo quando há “perda de confiança” ou “fundado receio de novos defeitos”.
Outros precedentes no Brasil
O caso de Ernesto não é isolado. Em Minas Gerais, por exemplo, um motorista de aplicativo também enfrentou problemas três dias após comprar um carro zero quilômetro. Ele ficou 12 dias sem o automóvel e obteve na Justiça indenização por danos morais e lucros cessantes. Situações semelhantes ocorreram com taxistas e outros profissionais que dependem do carro para trabalhar, consolidando o entendimento de que falhas em veículos novos comprometem não apenas a confiança do consumidor, mas também a renda familiar.
Reflexos para o mercado de elétricos
Além da disputa individual, o caso levanta discussões mais amplas sobre a confiança do consumidor em veículos elétricos no Brasil, segmento que cresce de forma acelerada. Para especialistas, problemas de qualidade em carros recém-lançados podem afetar a imagem das montadoras e gerar insegurança entre compradores que ainda veem os elétricos como uma aposta de futuro.
Enquanto a Justiça não define o desfecho, Ernesto segue sem a tranquilidade esperada ao adquirir um carro novo — e com a esperança de que seu caso sirva de alerta para outros consumidores.
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