Greve nacional dos Correios entra no terceiro dia e empresa recorre ao TST

Paralisação é por tempo indeterminado após trabalhadores rejeitarem proposta do acordo coletivo; plano de saúde está entre os principais pontos do impasse
Os trabalhadores dos Correios seguem em greve nacional por tempo indeterminado neste sábado (12). A paralisação começou às 22h de quinta-feira (10), após assembleias realizadas em diferentes regiões do país rejeitarem a proposta apresentada pela estatal nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027.
Segundo as entidades representativas dos trabalhadores, as negociações vinham ocorrendo há semanas e passaram por tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas terminaram sem consenso. A Findect informou que 35 assembleias já haviam aprovado a paralisação.
Plano de saúde está no centro do impasse
Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e seus dependentes. As entidades sindicais afirmam que mudanças defendidas pela direção da estatal podem comprometer o modelo de custeio e a manutenção da assistência médica.
A mobilização também ocorre em meio às discussões sobre a reestruturação dos Correios. Sindicatos questionam medidas relacionadas à redução da estrutura da empresa, fechamento de unidades e programas de desligamento.
A estatal apresenta uma versão diferente sobre as negociações. Segundo os Correios, a proposta mais recente preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior, além de prever recomposição salarial e dos benefícios pelo INPC e manutenção da assistência à saúde. Mesmo assim, não houve acordo.
Correios recorrem ao TST
Diante da continuidade da paralisação, os Correios ingressaram na sexta-feira (11) com um pedido de dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho.
A empresa pretende que a Justiça do Trabalho intervenha no impasse e pediu a retomada dos serviços. As entidades sindicais, por outro lado, mantêm a mobilização e defendem a continuidade do movimento. A Findect indicou ainda intensificação das ações a partir de segunda-feira (14).
Bahia também participa da paralisação
Na Bahia, trabalhadores também aprovaram a greve por tempo indeterminado. A decisão acompanha o movimento nacional e foi tomada após assembleia realizada na quinta-feira
Com a paralisação, a operação de distribuição de encomendas e correspondências pode sofrer impactos. Os Correios, entretanto, afirmam que adotaram um plano de contingência, com medidas para assegurar a continuidade dos serviços e reduzir os transtornos aos clientes. Agências permanecem abertas, segundo informações divulgadas pela empresa.
Crise financeira agrava cenário
A greve acontece em um momento especialmente delicado para a estatal. Os Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, incluindo perda de cerca de R$ 2,4 bilhões somente no segundo trimestre. A empresa também busca recursos para financiar seu processo de recuperação e reestruturação.
Enquanto não houver acordo entre a direção dos Correios e as representações dos trabalhadores — ou uma definição do TST —, a greve permanece por tempo indeterminado.
A situação deve ganhar um novo capítulo a partir de segunda-feira (14), quando as entidades sindicais pretendem ampliar a mobilização em diferentes regiões do país.
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