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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
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El Niño acende alerta no Nordeste e SUS amplia estrutura para enfrentar seca e calor extremo

Conecta News Por Conecta News
5 min de leitura

Com previsão de estiagem severa e temperaturas elevadas até março de 2027, Ministério da Saúde reforça segurança hídrica, amplia unidades de saúde preparadas para eventos extremos e mobiliza a Força Nacional do SUS

O avanço do El Niño e a perspectiva de um período prolongado de estiagem e temperaturas elevadas colocaram o Nordeste em estado de atenção para os próximos meses. Diante dos riscos provocados pelo fenômeno climático, o Ministério da Saúde anunciou o reforço da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), com medidas voltadas à segurança hídrica, prevenção de doenças, monitoramento climático e ampliação da capacidade de resposta a emergências.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (16), o El Niño está classificado como forte e apresenta alta probabilidade de atingir intensidade “muito forte”. A janela considerada mais crítica pelo governo federal se estende pelos próximos meses, com impactos previstos até março de 2027. 

No Nordeste, uma das principais preocupações é o aprofundamento da estiagem associado ao calor extremo. Além de afetar o abastecimento de água, o cenário pode produzir consequências diretas para a saúde pública, principalmente entre idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e comunidades com maior vulnerabilidade social.

Calor e seca ampliam riscos à saúde

A combinação de temperaturas elevadas, redução das chuvas e dificuldade de acesso à água potável pode aumentar os casos de desidratação, diarreias e outros problemas relacionados à água, além de agravar doenças cardiorrespiratórias.

O Ministério da Saúde também chama atenção para riscos de insegurança alimentar, desnutrição e proliferação de doenças transmitidas por vetores, como a dengue. Eventos climáticos extremos ainda podem elevar a demanda por atendimento nas unidades de saúde e exigir respostas rápidas em municípios mais atingidos. 

A preparação nacional para o El Niño envolve monitoramento epidemiológico e climático, mobilização de recursos emergenciais, assistência farmacêutica e protocolos específicos de acordo com as características de cada região. 

Nordeste terá reforço na estrutura do SUS

Entre as principais medidas anunciadas estão 968 Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes, já entregues ou em construção no Nordeste por meio do Novo PAC.

Essas estruturas são planejadas para manter o funcionamento mesmo diante de situações climáticas adversas. Os projetos incluem implantação em terrenos considerados seguros, sistemas de energia solar, geradores e reservas de água capazes de garantir autonomia por até 72 horas. 

A região também recebeu cerca de 1,7 mil ambulâncias do SAMU, além de 77 soluções de acesso à água potável em áreas indígenas e aproximadamente 18,7 mil cisternas, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde. 

Força Nacional do SUS amplia presença no Nordeste

Outra frente da estratégia é a descentralização da Força Nacional do SUS (FN-SUS). Salvador já conta com uma base regional, enquanto novas estruturas estão previstas para Recife e Fortaleza.

O objetivo é aproximar equipes e equipamentos das áreas potencialmente atingidas, reduzindo o tempo necessário para mobilização em situações de emergência.

No país, estão previstas nove bases regionais. As primeiras foram abertas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. Segundo o Ministério, a nova estrutura permite resposta a emergências em saúde em até 12 horas. Em 2026, a FN-SUS realizou 11 missões em oito estados, cinco delas relacionadas a desastres, mobilizando 139 profissionais de 14 categorias e realizando 4.899 atendimentos. 

Monitoramento climático deve orientar ações antecipadas

Além do atendimento emergencial, o governo aposta no monitoramento para antecipar problemas. Os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) instalados em Salvador e Fortaleza acompanham indicadores relacionados às temperaturas extremas e à estiagem.

As informações produzidas pelos centros devem ajudar estados e municípios na tomada de decisões, incluindo envio antecipado de medicamentos, elaboração de mapas de áreas mais expostas ao calor, emissão de alertas e boletins e preparação das equipes de saúde.

Também está prevista a instalação de zonas de resfriamento em Unidades Básicas de Saúde, destinadas especialmente a períodos de calor extremo.

Mudanças climáticas entram definitivamente na agenda da saúde

As ações fazem parte de uma estratégia mais ampla de adaptação do SUS aos efeitos das mudanças climáticas. O Ministério da Saúde tem mobilizado estados e municípios para elaboração de planos específicos de enfrentamento ao El Niño, considerando que os impactos variam significativamente entre as regiões brasileiras. 

Em nível nacional, os investimentos em infraestrutura incluem mais de 2,2 mil UBS resilientes, entregues ou em construção, além de aproximadamente 4,4 mil ambulâncias do SAMU e 20,8 mil cisternas e outras soluções relacionadas ao acesso à água potável.

O desafio para o Nordeste será transformar essa estrutura preventiva em capacidade efetiva de resposta nos municípios mais vulneráveis. Com a perspectiva de meses de calor intenso e estiagem severa, a disponibilidade de água, a vigilância epidemiológica e a manutenção do atendimento de saúde deverão permanecer entre as principais preocupações até o fim do período crítico previsto para março de 2027.

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