Caso Master: Mendonça determina bloqueio de até R$ 5,9 milhões e atinge Jaques Wagner e outros investigados

Decisão do ministro André Mendonça também tornou indisponíveis direitos sobre apartamento de luxo em Salvador; PF apura suspeitas de vantagens indevidas e possível atuação em favor de interesses do Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens, direitos e valores no âmbito da investigação que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e pessoas apontadas pela Polícia Federal como integrantes de dois eixos relacionados ao caso Banco Master.
A decisão, tomada durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, ganhou novos detalhes após a retirada do sigilo de documentos das investigações. O limite global da constrição patrimonial chega a R$ 5.955.250 e alcança um grupo de investigados — portanto, o montante não deve ser tratado como valor bloqueado exclusivamente do patrimônio de Wagner.
Além do senador, aparecem entre os atingidos pelas medidas pessoas próximas e outros investigados, entre eles Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner, e Guilherme “Guiga” Sodré.
Apartamento de luxo entra na investigação
Um dos principais pontos apurados pela Polícia Federal é a negociação envolvendo uma unidade do empreendimento Poème Horto, localizado no Horto Florestal, área nobre de Salvador.
O imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos utilizados na operação e se a negociação estaria relacionada a vantagens indevidas supostamente oferecidas ao senador.
A decisão judicial também determinou a indisponibilidade dos direitos relacionados ao apartamento.
Segundo a PF, mensagens, documentos, contratos e outros registros reunidos durante a investigação apontariam para a participação de intermediários nas tratativas.
PF investiga relação com executivos ligados ao Master
As investigações analisam a relação de Jaques Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Relatórios da Polícia Federal apontaram uma relação próxima entre Wagner e Augusto Lima. Levantamento divulgado anteriormente mostrou a existência de 74 ligações entre os dois, entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando aproximadamente cinco horas e meia de conversas.
A PF também apura se houve atuação parlamentar relacionada a assuntos de interesse do Banco Master em eventual contrapartida por vantagens econômicas.
Essas hipóteses fazem parte da investigação e não representam condenação ou comprovação definitiva de crime.
Mendonça autorizou acesso a registros telefônicos
Outro documento tornado público revelou que André Mendonça autorizou medidas de monitoramento envolvendo registros telefônicos relacionados ao senador.
A autorização abrangia informações técnicas, como registros de chamadas, SMS sem conteúdo, identificação dos aparelhos, conexões e dados relacionados às estações de telefonia utilizadas.
A decisão, porém, não autorizava acesso ao conteúdo das conversas telefônicas ou mensagens.
Operação Compliance Zero
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada por André Mendonça e deflagrada pela Polícia Federal em junho.
Segundo o próprio STF informou na ocasião, a investigação apura indícios de uma possível relação entre gestores do Banco Master, incluindo Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, e o senador baiano.
Os investigadores apuram suspeitas relacionadas a crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e organização criminosa.
Wagner nega irregularidades
Jaques Wagner tem negado participação em irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Após se tornar alvo da operação, o senador afirmou que pretende provar sua inocência e destacou que a existência de uma investigação não significa que os fatos apurados tenham sido comprovados.
Até o momento, as informações divulgadas integram uma investigação em andamento. Caberá às autoridades responsáveis avaliar as provas reunidas e definir eventuais desdobramentos criminais.
Documentos do caso Master deixam sigilo
Os novos detalhes vieram à tona em meio à retirada do sigilo de diversos procedimentos relacionados ao caso Banco Master.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que documentos relacionados à Operação Compliance Zero fossem disponibilizados, preservando apenas diligências em andamento cuja divulgação pudesse prejudicar as investigações.
Com a publicidade dos autos, novos detalhes sobre as diferentes frentes do caso Master começaram a ser conhecidos.
A investigação envolvendo Jaques Wagner ganha atenção especial na Bahia por envolver um dos principais nomes políticos do estado e ocorre em meio ao calendário eleitoral de 2026.
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